Sintomas de glicose baixa: Tratamentos e causas da hipoglicemia

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A glicose é a principal fonte de energia de todas as células do organismo, uma espécie de combustível para o bom funcionamento do mesmo. Dessa forma, quando os níveis de glicose ficam muito abaixo do normal todas as funções do corpo são afetadas, devido à essa falta de energia. Sendo assim, é importante saber identificar os sintomas de glicose baixa no sangue para que as providências necessárias sejam tomadas para estabilizá-la e evitar maiores danos.

Normalmente, a glicose é obtida através da ingestão de carboidratos e é distribuída para o organismo através do hormônio insulina, responsável por regular a sua quantidade no sangue e mantê-la estável. Esses níveis de açúcar (glicose) no sangue são tratados por glicemia, que pode indicar tanto um excesso de glicose (hiperglicemia) na corrente sanguínea, quanto uma insuficiência (hipoglicemia).

Em ambos os casos, o organismo sofre consequências. Assim como o excesso de açúcar no sangue faz mal à saúde, a falta também pode ser fatal. Por isso, é fundamental que se saiba diferenciar uma coisa da outra e o que fazer para estabilizar esses níveis de glicose no organismo.

Neste artigo vamos explicar o que é hipoglicemia, apontar os sintomas de glicose baixa no organismo e quais as consequências que isso pode causar para a sua saúde.

O que é Hipoglicemia ou glicose baixa?

sintomas de glicose baixa é medido por um aparelho através da gota de sangue
Sintomas de glicose baixa: hipoglicemia é a baixa concentração de açúcar na corrente sanguínea.

A hipoglicemia é um distúrbio provocado pela baixa concentração de glicose (açúcar) no sangue. Já o contrário recebe o nome de hiperglicemia. Normalmente, a hipoglicemia indica uma possível presença de problemas de saúde mais graves.

Em geral, isso acontece quando o organismo produz menos glicose do que o necessário, porém pode acontecer em decorrência de vários outros motivos que discutiremos à seguir.

A glicose é obtida através da metabolização dos carboidratos ingeridos pelos alimentos. Esse carboidrato é convertido em várias moléculas de açúcar, sendo uma delas a molécula de glicose. Esta, por sua vez, é distribuída para a corrente sanguínea, se espalhando pelo organismo. Neste processo, o hormônio insulina, produzido pelo pâncreas, ajuda na sua absorção pelas células como fonte energia.

É a insulina a responsável por regular os níveis de açúcar no sangue, entre 70 e 100 mg/dL. Assim, quando comemos, a taxa de glicose no sangue aumenta instantaneamente, avisando a insulina para agir imediatamente após a digestão. No caso de uma hipoglicemia, os níveis de açúcar no sangue ficam abaixo de 60 mg/dL.

Causas de hipoglicemia

Embora exista uma taxa ideal de insulina, isso pode variar dependendo da alimentação e de vários outros fatores como por exemplo, o diabetes. Isso porque a hipoglicemia é muito comum entre os diabéticos, devido ao desequilíbrio entre as doses necessárias de insulina e carboidratos consumidos.

No entanto, diversos outros fatores também podem levar uma pessoa a desenvolver hipoglicemia. Por exemplo, a hipoglicemia de jejum, ocorre antes das refeições por falta de alimento; e a hipoglicemia pós-prandial ou reativa, menos comum, ocorre após as refeições. Para entender melhor, vamos analisar cada tipo separadamente.

Hipoglicemia pós-prandial ou reativa

Apesar de menos comum, a hipoglicemia pós-prandial ou reativa costuma ocorrer em média de três a cinco horas após as refeições, devido a um desequilíbrio entre os níveis de glicose e de insulina no sangue.

Normalmente, costuma aparecer em quem passou por cirurgia bariátrica, procedimento que reduz o estômago com a finalidade de perder peso. No entanto, os sintomas de glicose baixa também podem surgir em quem nunca fez esse tipo de cirurgia. Portanto, é o tipo de hipoglicemia que depende muito do organismo da pessoa.

Hipoglicemia de jejum com diabetes

O diabetes é um grupo de doenças metabólicas caracterizado por níveis elevados de glicose no sangue durante um longo intervalo de tempo. É resultado tanto da produção insuficiente de insulina pelo pâncreas ou de uma deficiência celular em relação à insulina produzida.

Assim, quando as taxas de glicose ficam acima de 126 mg/dL no jejum consecutivamente, é diabetes. No entanto, se o nível de glicose ficar abaixo de 45 mg/dL, é possível apresentar hipoglicemia mesmo com diabetes.

Como no diabetes as taxas de glicose estão mais altas que o normal, a pessoa toma medicamentos ou insulina para controlar o problema e regular os níveis de açúcar. Neste caso, a dose de insulina vai depender da quantidade de carboidrato ingerido no dia. No entanto, a pessoa pode injetar mais insulina do que o necessário e desenvolver hipoglicemia.

Por outro lado, mesmo com uma dose ideal mas não se alimentando direito, a pessoa pode apresentar sintomas de glicose baixa, pois não terá produzido glicose suficiente.

Por isso que diabéticos não devem praticar exercícios físicos intensos após os medicamentos, pois acabam queimando glicose desnecessariamente. Dessa forma, é importante equilibrar a alimentação e a prática de exercícios.

Hipoglicemia de jejum sem diabetes

A hipoglicemia não está associada apenas ao diabetes. Diversos outros fatores contribuem para uma pessoa apresentar sintomas de glicose baixa no sangue. No caso da hipoglicemia de jejum, o principal é a falta de alimento por longos períodos. Os outros fatores, seguem abaixo:

1. Hipoglicemia por medicamentos

Alguns medicamentos, como remédios para diabetes, podem causar sintomas de glicose baixa, principalmente em crianças e adultos com problemas renais. Outros medicamentos como a quinina para tratar malária também pode acarretar hipoglicemia.

2. Hipoglicemia por consumo excessivo de álcool

Quando ingerimos bebidas alcoólicas em excesso sem se alimentar antes, isso acaba incapacitando a produção de insulina. Assim, o hormônio não consegue desempenhar manter os níveis de açúcar no sangue estabilizados, causando assim, sintomas de glicose baixa.

3. Hipoglicemia por algumas doenças crônicas

Doenças crônicas como doenças do pâncreas e nos rins (tumor e hepatite severa), também podem causar sintomas de glicose baixa. Além disso, a anorexia também pode causar hipoglicemia pela falta de alimentação.

4. Hipoglicemia por deficiências endócrinas

Problemas no funcionamento das glândulas adrenais provocam deficiências em hormônios para a produção de glicose, principalmente em crianças.

Principais sintomas da glicose baixa

mulher com sintomas de glicose baixa no sangue
Os principais sintomas de glicose baixa no sangue é tontura e fraqueza.

A hipoglicemia inclui sintomas de glicose baixa como:

  • Alterações no humor;
  • Batimento cardíaco acelerado e palpitação;
  • Palidez;
  • Enjoos;
  • Tremores;
  • Ondas de calor e suores frios;
  • Fome;
  • Sono;
  • Tontura;
  • Visão turva, dupla ou embaçada;
  • Formigamento na boca;
  • Confusão mental.

Qual a diferença entre pressão baixa e glicose baixa?

A hipoglicemia e a pressão baixa são muito parecidas. Os sintomas da glicose baixa no sangue são praticamente os mesmos da pressão baixa, como dor de cabeça, enjoos e tonturas.

No caso de um jejum de mais de 3 ou 4 horas, os sintomas serão devido à baixa concentração de açúcar no sangue, ou seja, hipoglicemia. De um modo geral, os sintomas de pressão baixa são tontura, fraqueza, sensação de desmaio, visão escura ao se levantar, boca seca e sonolência.

Como são extremamente parecidos com os sintomas de glicose baixa, é necessário analisar de forma específica para diferenciar as duas situações, como:

Medir a pressão arterial

O valor normal de pressão arterial é 120 x 80 mmHg, sendo assim, a pressão baixa é quando se encontra igual ou inferior a 90 x 60 mmHg. Em caso de sintomas de glicose baixa e pressão normal, provavelmente é hipoglicemia.

Medir a glicose no sangue

Medimos a concentração de glicose no sangue por meio de um aparelho que dá uma picada no dedo. O valor normal de glicose no sangue é até 99 mg/dL, caso o valor esteja abaixo de 70 mg/dL, indica-se hipoglicemia.

Em caso de pressão baixa, a pessoa deve se sentar ou se deitar em um local confortável e elevar as pernas, para aumentar a circulação de sangue no cérebro e, consequentemente, aumentar a pressão arterial. Sentindo-se melhor, pode voltar a levantar tomando cuidado ao realizar movimentos bruscos e repentinos.

Principais consequências da glicose baixa

mulher com graves sintomas de glicose baixa no sangue
Os sintomas de glicose baixa podem agravar e levar a consequências mais sérias.

Ignorar os sintomas de glicose baixa pode acarretar consequências graves, pois o cérebro necessita de glicose para funcionar propriamente. Portanto, caso os níveis de glicose não forem rapidamente estabilizados e o distúrbio tratado, essa falta de energia no cérebro pode causar:

  • Dificuldade de raciocinar, pensar ou agir;
  • Lentidão de movimentos;
  • Lesão cerebral irreversível;
  • Dificuldade em realizar ações rotineiras;
  • Convulsão;
  • Desmaios;
  • Coma e até morte.

Vale ressaltar, que a glicemia tratada logo que os sintomas de glicose baixa são percebidos não gera sequelas. As complicações são mais comuns em casos de hipoglicemia frequente sem tratamento adequado.

O que fazer em casos de sintomas de glicose baixa

Os casos de hipoglicemia devem ser tratados por um médico, que fará os exames clínicos necessários para diagnosticar a causa e indicar o tratamento.

Nos casos de hipoglicemia em diabéticos, deve-se monitorar constantemente os níveis de glicose no sangue, fazer uma alimentação adequada e tomar a dosagem certa da medicação, bem como evitar bebidas alcoólicas.

Já nos casos de hipoglicemia em não diabéticos, é necessário investigar a causa. Se a baixa da glicose for leve, a ingestão de açúcar pode ser suficiente. No entanto, pode ser necessário tomar medicamentos intravenosos, quando os níveis de glicemia estiverem muito abaixo.

Em caso de hipoglicemia de jejum, a pessoa deve tentar ingerir alimentos ricos em carboidratos ou de fácil digestão. Como por exemplo, um pedaço de pão doce ou um copo de suco de laranja. Se após alguns minutos a concentração de glicose no sangue não normalizar (abaixo de 70 mg/dL), coma mais carboidratos.

Caso não haja resultado mesmo após o consumo de carboidratos ou ocorram desmaios, vá imediatamente ao hospital ou chame uma ambulância por meio do número 192.

Como agir durante uma crise de hipoglicemia

sintomas de glicose baixa: medir o nível de açucar no sangue e se alimentar
Em caso de sintomas de glicose baixa no sangue é preciso agir rapidamente e ingerir alimentos com alto teror de açúcar

Normalmente, a ingestão de açúcar ou carboidrato costuma resolver, mas há ocasiões em que o quadro da hipoglicemia se agrava. Um dos graves sintomas de glicose baixa é a pessoa perder os sentidos.

Caso a pessoa estiver ainda consciente e conseguir pedir ajuda, ofereça uma colher de sopa rasa de açúcar com água, um pouco de refrigerante não dietético ou de suco de laranja e até mesmo três balas bem doces.

Caso a pessoa perca os sentidos ou fique zonza e seja diabética, não ofereça alimentos pelo risco dos sólidos irem para o pulmão. Nestes casos, recomenda-se uma injeção de glucagon, um hormônio de ação oposta ao da insulina. Isto é, que aumenta o açúcar no sangue.

Em geral, todo diabético possui uma ampola do glucagon consigo mesmo. No entanto, se não haver o hormônio, ofereça com cuidado um pouco de açúcar na mucosa das bochechas.

Para evitar a hipoglicemia, deve-se fazer o monitoramento constante do nível de glicose no sangue. Além disso, sempre antes de dormir, faça um lanche leve para evitar a hipoglicemia noturna.

O que é Hiperglicemia ou glicose alta?

A hiperglicemia é o oposto da hipoglicemia, ou seja, o excesso de glicose na corrente sanguínea, acima de 200mg/dL. Normalmente, pessoas portadores de diabetes que ainda desconhecem a doença, a descobrem por meio da hiperglicemia.

É muito comum o diagnóstico de diabetes quando os níveis de glicose já estão em índices altíssimos, pois antes de 180mg/dL, os sintomas não costumam se apresentar. Além disso, diabéticos que não fazem o tratamento correto também costumam apresentar hiperglicemia.

Outros fatores como o estresse e algumas outras doenças também podem provocar hiperglicemia. Assim como a ingestão em excesso de açúcar, seja por alimentos calóricos ou por bebidas alcoólicas.

Os principais sintomas da glicose alta são:

  • Fome e sede em excesso;
  • Urinar em excesso;
  • Nâuseas;
  • Sonolência;
  • Fraqueza;
  • Tonturas e emagrecimentos sem motivo aparente;
  • Vômitos e dificuldades respiratórias.

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